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  • Astênio Araújo

O MITO DO REI MIDAS

O mito do rei Midas ilustra bem a ideia de controlar as condições externas não necessariamente melhora a existência.

Como a maioria das pessoas, o rei Midas presumia que se ficasse imensamente rico, sua felicidade estaria assegurada. Assim, ele fez um pacto com os deuses, que após muito regatear concederam seu desejo de que tudo o que tocasse viraria ouro. O rei Midas achou qie fizera um excelente negócio. Agora nada o impediria de ser o homem mais rico do mundo e, portanto, o mais feliz. Mas sabemos como a história: ele não demorou a arrepender de seu trato, porque a comida e o vinho viravam ouro assim que entravam em sua boca, e veio a morrer cercado de pratos e taças de ouro.

A velha fábula continua a reverberar pelos séculos. Os consultórios dos psiquiatras vivem cheios de pacientes ricos e bem-sucedidos na casa dos quarenta ou cinquenta anos, que de repente acordaram para o fato de que uma casa renta ou cinquenta anos, que -uma casa grande no subúrbio, carros luxuosos e educação nas melhores universidades não são suficientes para lhes trazer paz de espírito.

Contudo, as pessoas seguem de esperando que a mudança das condições externas de vida ofereça uma solução. Quem dera tivessem mais dinheiro, estivessem em melhor forma ou contassem com um parceiro mais compreensivo, aí sim teriam chegado lá! Mesmo quando admitimos que o sucesso material pode não trazer felicidade, vivemos numa luta sem fim para conquistar metas externas, esperando que melhorem a vida.

Riqueza, status e poder se tornaram poderosos símbolos de felicidade em nossa cultura. Quando vemos pessoas ricas, famosas ou bonitas, tendemos a presumir que têm uma vida gratificante, mesmo quando todas as evidências levem a crer que são infelizes. E presumimos que, se ao menos pudéssemos obter parte desses mesmos símbolos, seríamos bem mais felizes. Quando conseguimos de fato nos tornar mais ricos ou poderosos, acre- ditamos, ao menos por um tempo, que a vida como um todo melhorou. Mas os símbolos podem ser enganadores: eles tendem a nos distrair da realidade que deveriam representar. E a realidade é que a qualidade de vida não de- pende diretamente do que os outros pensam de nós ou do que possuímos. Em suma, depende antes de como nos sentimos em relação a nós mesmos e ao que acontece conosco. Para a vida ser melhor, a qualidade da experiência deve melhorar.

--Sêneca


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